Filho de Deputada diz que ela pediu para que ele assumisse o crime.

O filho adotivo da deputada federal Flordelis, do PSD do Rio de Janeiro, Lucas Cézar de Souza, afirmou, nesta segunda-feira (19), que não teria como a parlamentar não saber do planejamento da morte do pastor Anderson do Carmo, marido dela.

Lucas prestou depoimento no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados, que analisa o processo por quebra de decoro parlamentar contra a deputada, acusada de ser a mandante do assassinato de Anderson em 2019. Ela nega as acusações.

O filho adotivo disse que, se Flordelis não tivesse participação no crime, Anderson ainda estaria vivo.

Preso desde junho de 2019 por ter intermediado a compra da arma utilizada no assassinato, Lucas César de Souza contou também que a deputada tinha o costume de enviar cartas a ele por meio da mulher de um outro detento. Em uma das cartas, a parlamentar teria tentado convencê-lo a assumir a autoria da morte do pastor.

No trecho que acabamos de ouvir, Lucas se refere ao irmão Flávio dos Santos, apontado como autor dos disparos contra o pastor Anderson, e que foi preso no velório do padrasto. Sobre a carta, Lucas diz que ela estava assinada e que reconheceu a letra de Flordelis.

Ainda durante o depoimento, Lucas de Souza declarou que não recebeu diretamente da deputada qualquer informação ou ordem para o crime, e atribuiu o planejamento do assassinato à Marzy Teixeira da Silva, outra filha adotiva da parlamentar.

Também prestou depoimento ao Conselho de Ética da Câmara a mulher de um dos detentos, Andrea Santos Maia, presa em agosto do ano passado acusada de levar cartas de Flordelis aos filhos da parlamentar na prisão. Andrea contou que só conhecia a deputada como mãe dos internos e que atuava como líder comunitária ajudando famílias de presos. 

Presente na audiência, a advogada de defesa de Flordelis, Janira da Rocha, fez algumas perguntas ao filho adotivo da deputada. Procurada para comentar as acusações, ela não retornou até o fechamento desta reportagem.